Origem do Espiritismo

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Origem do Espiritismo

Mensagempor donizetepinheiro » Dom Set 24, 2006 2:35 pm

O Espiritismo tem seu marco inicial definitivo em 18 de abril de 1857, com o lançamento de "O Livro dos Espíritos". Antes disso não se pode falar em Espiritismo, como Doutrina estruturada. O próprio termo Espiritismo é criação de Allan Kardec, seu Codificador.

No entanto, as leis e os fenômenos que analisa e estuda sempre existiram, porquanto integram a Lei Natural. O Mundo Espiritual é preexistente ao Mundo Material e desde o princípio os Espíritos desencarnados e o Espíritos encarnados mantém permanente contato, daí surgindo os fenômenos que denominamos espíritas ou mediúnicos.

Remontando ao passado, vamos encontrar a comunicação com os mortos já na época de Moisés, que acabou por proibi-la em razão dos abusos que eram cometidos, como se vê na Bíblia em Êxodo 22:18, Deuteronômio 18:10-11 e Levítico 19:31.O Velho Testamento também relata, em I Reis 28:7-25 e I Samuel 28:7-20, o diálogo mantido entre o Rei Saul e o morto Rei Samuel, que, evocado pela pitonisa de Endor, materializa-se e alerta Saul de que morreria num confronto no dia seguinte.

Mais de 400 anos antes do Cristo, o filósofo grego Sócrates referia-se à alma imortal e dizia ser inspirado pelo seu gênio (ou daimon, démon); ensinava que a Divindade não entra em comunicação direta com os homens, mas é por meio dos daimons que os deuses se relacionam e conversam com eles, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono (A República, de Platão).

Já no Novo Testamento diversas são as citações sobre o contato com os Espíritos. Reportamo-nos apenas a algumas, como aquela em que Moisés e Elias aparecem e falam com Jesus no monte, estando presentes os apóstolos Pedro, Tiago e João (Mateus, 17:1-9). No mesmo capítulo, Mateus anota a passagem em que Jesus expulsa o demônio (para nós, espíritas, um espírito inferior): "E repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou" (17:18). E o Apóstolo Paulo, em sua I Epístola aos Coríntios, admitiu as manifestações mediúnicas, afirmando: "Portanto, irmãos, procurai com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas." (14:39)

Na Idade Média, Joana D’Arc, a grande médium, depois de conduzir a França à vitória na guerra, se deixou imolar na fogueira por não querer negar que ouvia vozes espirituais e das quais recebia orientação. No Século 18, destaca-se o médium sueco Emmanuel Swendenborg (1688-1772), que podia ver e comunicar-se facilmente com muitos espíritos, tendo escrito diversos livros e criado a igreja "Nova Jerusalém".

Mas foi a partir de março de 1848 que as "Vozes dos Céus" desceram à Terra, manifestando-se às claras por toda a parte, dando início à terceira revelação das verdades espirituais. Acontecimento relevante se deu com as irmãs Fox (Kate, Margarete e Leah), filhas de granjeiros na localidade de Hydesville, no Estado de New York, nos Estados Unidos. A família começou a ser atormentada por variados ruídos de origem desconhecida, até que Kate resolveu desafiar o poder invisível para repetir os golpes que ela desse com os dedos. E eles foram repetidos, sem erro. Logo travou-se um diálogo por meio de batidas e aquele poder declara ser um espírito, que havia sido assassinado ali mesmo e seu corpo estava enterrado na adega, fato que se confirmou em 1904, com o encontro do esqueleto.

Nessa fase, médiuns, adeptos e investigadores começaram a brotar por toda parte e gente socialmente importante aderiu ao novo movimento espiritualista. Em 1855, um professor de química, Robert Hare, chegou a publicar o livro "Investigação Experimental das Manifestações Espíritas que Demonstram a Existência dos Espíritos e sua Comunhão com os Vivos". Na Inglaterra surgem os grandes médiuns Florence Cook e Daniel D. Home.

Na França, as manifestações aparecem como o movimento das mesas girantes ou dançantes, invadindo os salões e tornando-se moda durante alguns anos. Era um divertimento, em que as pessoas punham as mãos sobre a mesa e aguardavam que ela se movimentasse respondendo perguntas.

Em 1854, o Professor Hippolyte Léon Denizar Rivail pela primeira vez teve notícias das mesas girantes, conforme narrativa que lhe fez o amigo e magnetizador Sr. Fortier. Em maio de 1855, conheceu o Sr. Pâtier e a Sra. de Plainemaison, que lhe tornaram a falar sobre os fenômenos. A partir de então, o professor Rival começou a participar das reuniões e experiências realizadas na casa da Sra. de Plainemaison e, posteriormente, do Sr. Baudin, durante as quais passou a fazer indagações aos Espíritos sobre diversos assuntos, cujas respostas ensejaram a coletânea publicada em "O Livro dos Espíritos". A primeira edição de "O Livro dos Espíritos" saiu com 501 perguntas e respostas, e a segunda edição, publicada em março de 1960, adquiriu sua forma definitiva, com 1019 questões.
donizetepinheiro
 
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